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Deserto de Atacama

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São Pedro de Atacama
São Pedro de Atacama
São Pedro de Atacama
São Pedro de Atacama


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O Deserto de Atacama é um dos mais famosos Patrimônios Naturais do planeta, e não faltam motivos para isso: é o mais alto e o mais seco deserto do mundo, com 1.000 km de extensão, que acompanham a estreita faixa de terra que, ao norte do Chile, existe entre o Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes. Os índices pluviométricos da região são incrivelmente baixos - há áreas com a comprovação científica de 1.400 anos sem chuva alguma - as paisagens são belíssimas, e por isso atraem visitantes de todo o planeta: Atacama é um dos pontos turísticos mais visitados do Chile.

O pequeno e exótico vilarejo de San Pedro de Atacama, com cerca de 3.000 habitantes que vivem num dos raros oásis deste deserto, é o ponto de apoio aos turistas, com seus muitos hotéis, restaurantes, lojas de artesanato e agencias de guias especializados nos muitos passeios organizados da região.

Mapa do Chile

O Deserto de Atacama começou a ser povoado há cerca de 11.000 anos, quando um povo chamado Atacamenhos passou a habitar a região, perto de alguns de seus lagos perenes de água doce e a praticar a agricultura usando terraços de cultivo e técnicas muito avançadas para a sua época. Junto com as ruínas da civilização Inca que lhe sucedeu, esta história de milênios é uma das grandes atrações para os visitantes, com passeios a sítios arqueológicos e a museus que oferecem muito o que ver.

Além disso, as belezas naturais - que são sempre motivo para fotos incríveis - são muitas, e também são objeto de passeios muito bem organizados e conduzidos pelo pessoal de San Pedro de Atacama, que vive desde turismo que fala todo o tipo de línguas: os muitos vulcões - o Vulcão Ojos del Salado, com seus 6.885 m de altitude é o vulcão mais alto do mundo! - as muitas lagoas que aparecem no meio do nada, num solo absolutamente seco; gêiseres, vales, salares; roteiros de trekking, montanhismo, cavalgadas, veículos off-road e mountain bike em diversos graus de dificuldade, sempre com apoio e muita organização

Você jamais esquecerá do céu de Atacama, com seus dias sempre impecavelmente azuis - mas de um azul que você não viu antes, sem poluição alguma, com 5% de umidade relativa do ar, longe de tudo... - e suas noites em que, nesta mesma atmosfera sem nuvens e sem poluição, a centenas de quilômetros de fontes de luz, as estrelas ocupam todos os espaços acima de sua cabeça.

Aliás... por este motivo foi alí inaugurado, em 2011, um dos maiores telescópios do mundo, o Projeto Alma, em que dezenas de telescópios atuam em conjunto no Atacama, a 5.000m de altitude, aproveitando sua atmosfera pura.

O Deserto de Atacama é um lugar imperdível, que merece ser visitado e curtido... não tenha qualquer dúvida: ele sempre provoca uma sensação muito forte - e muito boa - em todo aquele que caminha em suas areias!

Como chegar

O aeroporto da cidade de Calama recebe vôos vindos de Santiago - são 1 hora e 50 minutos de vôo desde a capital chilena; e depois são 98 km desde Calama até San Pedro de Atacama, numa estrada bem pavimentada e já com o clima de deserto que você espera de sua viagem.

Caso deseje ir de carro, são 1.670 km desde a capital Santiago, percorridos na Estrada Panamericana / Ruta 5 Norte.

Veja o Deserto do Atacama no mapa


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VEJA A SEGUIR OS COMENTÁRIOS DO POINT DA NEVE SOBRE O DESERTO DE ATACAMA:

Deserto de Atacama / San Pedro de Atacama / Calama / Antofogasta / Vulcão Ojos del Salado / Vale de la Luna / Tulor / Pukara de Quito

San Pedro de Atacama

San Pedro de Atacama, o destino principal de sua viagem ao deserto de atacama, é um pequeno vilarejo, a 2.400 m de altitude, mas... com clima charmoso, pois está sempre de viajantes do mundo inteiro, que trazem a sua cultura e suas diferentes línguas, roupas e costumes. Lá vocês encontrará muita gente interessante para trocar idéias e histórias - cada um é um provável companheiro de viagem para algum dos destinos interessantíssimos da região.

Povo local

Nomes para ir-se acostumando desde já: Atacamenhos, Chinchorros e Aymaras - estes são os nomes dos povos que habitaram este lugar desde 11.000 anos atrás... e você estará sempre cruzando com a sua história, suas ruínas, sua cultura, que se traduz no rico artesanato que você irá encontrar nas diversas boutiques de San Pedro de Atacama - boa parte dos habitantes são descendentes diretos dos povoadores da região.

lhamas e alpacas

Estes povos, além da agricultura rudimentar de grãos como o feijão e o milho, também se dedicava à criação das lhamas e alpacas, que além da carne e leite também lhes forneciam a lã necessária aos trajes para aguentar as noites de frio - nos desertos, sempre tão quentes durante o dia, a temperatura baixa muitíssimo durante as noites, chegando perto dos 0° C com frequência.

E estes animais eram o meio de transporte para manter rotas de contato com os povos da costa do Pacífico - nossos Hermanos já faziam este comércio 5.000 anos antes de Cristo...

Povoado de Caspara

Um dos passeios interessantes da região é o Povoado de Caspara, a 3.400 m de altitude, onde remanescentes dos Aymaras se dedicam ao artesanato e à criação de alpacas, vivendo como seus anscestrais o faziam há milhares de anos...
Imperdível!

Vivendas Circulares de Tulor

O passeio às Vivendas Circulares de Tulor - um conjunto arqueológico completo, de 800 AC, é dos mais interessantes, e muito próximos à cidade: são apenas 10 km desde o centro de Atacama, e você terá meio dia para circular no meio das ruínas e aprender muito com as preleções dos guias da região.

Salar de Atacama

O Salar de Atacama, a 38 km do centro de San Pedro de Atacama, é uma das imagens mais conhecidas desta região: com 4 lagoas, conhecidas como “Chaxas“ de águas muito azuis, são habitados por milhares de flamingos, e os efeitos de luz e contraste obtidos deste conjunto impressionante de céu azul, areia, lagoa azul e flamingos rosados são inacreditáveis... só vendo.

Termas de Puritana

Termas de Puritana é outro passeio dos mais conhecidos e apreciados por todos: a 28 km de San Pedro de Atacama, você irá se banhar com águas termais, com ótimas propriedades medicinais, no meio das rochas, em mergulhos inesquecíveis... o lugar é hoje administrado pelo famoso Hotel Explora, e você pode contar com uma tarde inesquecível em sua vida.

Geiseres de Tatio

A 89 km do centro de San Pedro de Atacama você irá encontrar os Geiseres de Tatio - impressionantes, a 5.000 m de altitude (prepare-se, lá estará perto de 0°C, sempre...), estes gêiseres soltam vapor a 800° C em colunas de fumaça de muitos metros de altura, num panorama que fará você ter certeza de ter pousado em Saturno.

vulcão Ojos del Salado

O vulcão Ojos del Salado - aliás, o vulcão mais alto do mundo, em seus impressionantes 6.885m de altitude, é um dos ícones do Deserto de Atacama: atrai montanhistas de todo o planeta, que vem para escaladas e trekkings de todo o grau de dificuldade... assim, contemple a hipótese de algo um pouco mais aventuresco nesta viagem: um trekking no Ojos del Salado pode ser algo muito espetacular em sua vida!

Vulcões famosos

Além do Ojos del Salado, a região é pródiga em vulcões famosos... veja só a listinha:

Não irá faltar vulcão em sua viagem, com certeza.

Lagoas

E as lagoas, perenes, límpidas e cristalinas, no meio deste enorme deserto em que nunca chove? pois são uma atração à parte, e veja alguns de seus nomes:

Valle de la Luna

O Valle de la Luna é um dos passeios mais recomendados do deserto de atacama... fica a 17 km do centro de San Pedro de Atacama, e tem o aspecto que você imagina de uma locação de filme de ficção científica... cores e formas impressionantes, você não irá parar de tirar fotos.

Pukara de Quitor

Os Incas dominaram a região durante centenas de anos, e entre outras coisas, construíram uma fortaleza chamada de Pukara de Quitor, palco de uma sangrenta batalha em 1540, quando foi tomada pelos espanhóis que invadiam o continente.

O conjunto arqueológico fica a 3 km do centro de San Pedro de Atacama, e é mais um dos passeios imperdíveis na região.

Céu de Atacama

O céu de Atacama... ah, o céu de Atacama...

Prepare-se para uma experiência única, pois irá ver estrelas como jamais viu, ou voltará a ver em sua vida. Nem no mar, nem em nenhuma estação de ski, nem no Everest. Nem nos polos.

O Atacama tem um céu único, e lá, a 5.000m de altitude, está o maior conjunto de telescópios dos mundo, o projeto ALMA, conduzido por diversos países e que reúne o melhor da tecnologia do planeta em termos de pesquisa espacial.

Museo

Museus: você tem dois bons museus à sua disposição, ambos com muito para mostrar da história da região - o Museo del Padre La Peige, em San Pedro de Atacama, e o Museo de San Miguel de Azava, em Arica.

Água

ÁGUA:

DESERTO DE ATACAMA NA WEB

A Web oferece muitos e ótimos relatos sobre o Deserto de Atacama e região, e selecionamos a seguir alguns deles que, ao nosso ver, descrevem-no de forma inteligente e sensível:

Acima das nuvens, deserto do Atacama hipnotiza e surpreende

PATRÍCIA TRUDES DA VEIGA

da Folha de S.Paulo

Espremido entre a cordilheira dos Andes, a leste, e o oceano Pacífico, a oeste, o Chile é o país mais estreito do mundo. Mais peculiar ainda é abrigar, em quase toda a sua região norte, um deserto acima das nuvens, que esconde jazidas minerais e a maior reserva de cobre, lítio, nitrato e iodo do planeta.

Chega a ser surreal explorar parte dos 363 mil quilômetros quadrados do deserto do Atacama. A altitudes que variam de 2.300 m a 6.893 m, ele desnorteia ora pela beleza estéril, ora pela força da natureza. Uma revelação para os sentidos, uma prova para o corpo.

Patrícia Trudes da Veiga/Folha Imagem

Salar de Tara

Monumentais colunas de pedra no salar de Tara; deserto do Atacama possui áreas a quase 7.000 metros de altitude

Há quem diga ter vivido ali experiências únicas, visões do passado e do futuro. O fato é que, a 4.000 m de altitude, não há como escapar da hipoxia (baixo teor de oxigênio), que tem como conseqüência a diminuição da atividade do sistema nervoso central.

Sim, o deserto hipnotiza e surpreende, mesmo com um clima extremamente árido --o mais seco do mundo, que faz os olhos e o nariz arderem--, mesmo com sensações térmicas até então desconhecidas --sim, estamos falando de 30ºC negativos.

Milhões de anos de transformações geológicas deram origem a cordilheiras, vulcões, salares e lagoas que se misturam a um céu turquesa sem nuvens, salpicado de estrelas e a uma flora e uma fauna únicas. Uma paisagem de, literalmente, tirar o fôlego.

Como um oásis, San Pedro de Atacama, um povoado com 4.969 habitantes a 2.443 m de altitude, é a porta de entrada para esse deserto. Fica a pouco mais de uma hora de carro de Calama, cidade em que pousam os vôos regionais e que detém o recorde mundial de 400 anos sem chuva (1571/1971).

Mesmo pequena, San Pedro tem em seu passado uma vasta história. Os primeiros habitantes, ex-nômades, instalaram-se lá há 11 mil anos, desenvolveram a irrigação e a agricultura, domesticaram alpacas e lhamas, inventaram a cerâmica e transformaram o vilarejo na ''capital arqueológica do Chile''.

Para vasculhar cada canto do Atacama, seriam precisos 90 dias, calcula Luis Bazzaza, guia experiente da região. Caindo no mundo real, cinco noites é o mínimo, assim como uma mala muito bem preparada, onde não há espaço algum para vaidades.

A maioria dos hotéis inclui os passeios nos pacotes, e subir às alturas chega a ser um impulso irresistível para quem está aos pés da mais longa cadeia de montanhas do mundo. Mas, como alerta Carlos Gerk, especialista em medicina de altitude, é preciso dar tempo para o corpo adaptar-se. E é assim, gradualmente, que as "escaladas" devem ser programadas. Nada de ascender cumes e vulcões de mais de 5.500 m, que podem terminar em edemas pulmonar e cerebral para quem não está devidamente preparado.

Erosões milenares

Patrícia Trudes da Veiga/Folha Imagem

Gêiseres do Tatio

Gêiseres do Tatio observados ao amanhecer; local fica a 4.320 metros de altitude na região do deserto do Atacama

Para perder o prumo logo no primeiro dia e ter a exata dimensão de um deserto, o vale da Lua e o vale da Morte (ambos a 2.569 m) são um bom começo. Não há nada por lá, nem uma planta, nem um ser vivo. Areia, minerais, gesso e terra, em formações bastante peculiares, lembram a superfície da Lua.

Pouco adiante, ergue-se a cordilheira do Sal, antigo lago cujas placas tectônicas se elevaram pelos mesmos movimentos da crosta terrestre que originaram a cordilheira dos Andes. Suas erosões milenares são espetaculares, uma aula de ciências, ao meio-dia com o sol a pino.

À tarde, o destino é o salar de Atacama (2.300 m). A paisagem muda radicalmente, e a vegetação resiste bravamente numa planície com quase 100 km de extensão coberta de sal, de onde afloram lagoas azuis habitadas por flamingos.

Já no segundo dia, há quem, como a repórter, ignore recomendações médicas e meteorológicas e dê um passo além do que devia. Rumo ao salar de Tara, na fronteira com a Bolívia, a mais de 4.000 m, o carro sacoleja. A cabeça dói, a náusea aparece. Nem chá de coca resolve.

Mas nessa planície desolada surgem monumentais colunas e paredões de pedra. E não dá para caminhar de encontro a eles. Com ventos frios a 70 km/h e temperatura abaixo de zero, o meteorologista da USP Mario Festa calcula uma sensação térmica de 32ºC negativos. O frio é de matar. Tudo perde a graça.

O guia ensina, então, a tomar água, muita água. O melhor seria água-de-coco, corrige o professor Gerk, já que, "com o ar seco, a cada respiração, perdemos também eletrólitos". O problema é que não há banheiros no meio do deserto. E aventurar-se atrás das rochas, com os termômetros abaixo de zero, não é nada fácil.

Vilinha lúdica

O terceiro dia começa de madrugada. É hora de sacolejar duas horas, de estômago vazio, rumo aos gêiseres do Tatio, a 4.320 m. Ao chegar, com o sol nascendo e a cabeça explodindo, parece um sonho: centenas de jatos de água fervente são expelidos do solo, atingindo 10 m de altura. O fenômeno, que dura poucas horas, ocorre quando as águas frias de rios subterrâneos encontram as lavas vulcânicas.

Depois de um café da manhã improvisado em meio a um cenário vulcânico, passa-se pela encantadora Machuca, vila que parece uma pintura infantil, com apenas nove casas de adobe, e cruza-se com lhamas e vicunhas até chegar às termas de Puritana, onde, assim como no Tatio, há piscinas naturais de água clara e quentíssima -de 30ºC a 40ºC.

Na última noite no deserto, é hora de, pela primeira vez, tirar vantagem dos 7% de umidade média relativa do ar. Não é para menos que lá estão instalados 34 radiotelescópios. É impossível tirar os olhos de estrelas, galáxias e nebulosas, que parecem estar ao alcance da mão. E de esquecer a imagem dos anéis de Saturno.

Patrícia Trudes da Veiga viajou a convite da LAN Airlines e do hotel Tierra Atacama, com o apoio dos hotéis Awasi e Explora.

Para quem

Aventureiros que colocam o corpo à prova e buscam uma revelação para os sentidos, explorando cordilheiras, vulcões, salares e lagoas, em meio a um céu azul-turquesa sem nuvens, repleto de estrelas e com uma flora e uma fauna únicas

Quando ir

O ano inteiro (evite a lua cheia, que "esconde" as estrelas); os meses de meia-estação são os melhores, com temperaturas mais amenas; no inverno (de junho a agosto), ela varia de 9ºC a 24ºC, caindo para abaixo de zero nas madrugadas

Como chegar

De avião, o vôo Santiago-Calama dura 1h45; até San Pedro de Atacama, mais uma hora e meia de carro

Hora local

-1h em relação a Brasília

Idioma

Espanhol

Moeda

Peso chileno; US$ 1 = 491,3 pesos chilenos; 1.000 pesos chilenos compram R$ 3,24

Dica

Bagagem indispensável: botas para caminhadas, calça jeans confortável ou calça conversível em bermuda, jaqueta especial, boné, gorro, cachecol, luvas, óculos de sol, maiô, toalha, mochila (com água-de-coco, protetor solar FPS 30, protetor labial, soro fisiológico, papel higiênico e kit de primeiros socorros); vista-se "em camadas", com meia-calça/ceroula e roupas de pura lã e/ou especiais corta-vento

Fonte: folha.uol

Deserto do Atacama

Paisagens do espaço, secura e poucos sinais de vida

Difícil ver sinal de vida ao redor da paisagem de pedras e areia. O único barulho, além dos próprios passos, é o do vento, que chega frio e com leve gosto de sal. O imenso céu azul está tão próximo que parece ao alcance das mãos. No desolado centro do deserto do Atacama, a sensação é a de que estamos em outro planeta, muito distante do nosso. O solo extremamente ressecado, até mesmo, é o mais parecido com o de Marte. A umidade do ar é tão baixa que, aliada à limpeza da atmosfera e à altitude elevada em relação ao nível do mar, tornou o lugar um dos mais propícios do planeta para observações espaciais, tamanha é a nitidez com que se pode observar o céu. Astrônomos do mundo inteiro deslocam-se para lá e montam seus observatórios. É um dos principais campos de observação para o desenvolvimento de pesquisas da Nasa. Mesmo sem luneta alguma, porém, as noites do Atacama tiram o fôlego de quem gosta de uma imensidão pipocada de infinitas estrelas.

Ao todo, essa região árida estende-se por mil quilômetros do norte do Chile até a fronteira com o Peru e cobre uma superfície de 106 513 quilômetros quadrados – grande parte dos quais formados por deserto arenoso e rochoso. A área que engloba o deserto do Atacama, no Chile, a 1 300 quilômetros de Santiago, na costa oeste da América do Sul, esconde um dos meios mais rígidos para o surgimento e desenvolvimento da vida na face da Terra. Nas regiões centrais dessa estreita faixa espremida entre o oceano Pacífico, ao oeste, e a cordilheira dos Andes, ao leste, existem lugares nos quais nunca foram registradas chuvas. A precipitação anual tem sido abaixo de 3 milímetros nos últimos 50 anos, as marcas mais baixas do mundo. É o deserto mais seco da Terra, um lugar onde as espécies estão condicionadas a uma série de surpreendentes adaptações. As temperaturas oscilam bastante: em janeiro, a média fica entre 18º C e 25º C; em julho, entre 12º C e 16º C.

Os flamingos rosados, habitantes da planície de sal desse deserto, o Salar de Atacama, são um bom exemplo de espécie adaptada. Nesse local, a água que veio da cordilheira dos Andes, formando lagos azuis, evapora mais rapidamente do que é reposta pelas chuvas, e os sais minerais permanecem. O resultado é uma quantidade enorme de imensos lagos de sal que impregnam o organismo do flamingo. A saída que esses animais encontraram foi eliminar o excesso através de pequenas aberturas ao lado das narinas.

Tal qual o flamingo, algumas plantas também dão um jeito de sobreviver nesse local inóspito. A vegetação de loma, mais importante ecossistema da região, por exemplo, vive da umidade da névoa que se condensa na superfície das pedras. Essa neblina, chamada de “camanchacas”, é o resultado da ação da corrente de Humboldt, que esfria o ar quente do Pacífico durante o inverno. A conseqüência biológica também colabora para deixar a paisagem mais charmosa com a neblina matinal. Poucas espécies animais habitam os lomas. Alguns mamíferos, pássaros e lagartos.

A lhama, da família do carneiro, é um animal que atrai a atenção dos visitantes e é bastante presente na paisagem desértica. Infelizmente, um dos tipos de lhama, o guanaco, que era comum nos lomas e nas áreas costeiras, está cada vez mais sumido devido à caça.

Os vulcões, na maioria extintos, fazem parte do visual e alguns propiciam o encantador fenômeno dos gêiseres. No vulcão El Tatio, por exemplo, ele ocorre: as águas subterrâneas encontram-se com a lava vulcânica e, no nascer do sol, saem jatos quentes de vapor que chegam a 10 metros de altura.

Apesar da secura e pobreza de opções para o desenvolvimento, diversos grupos humanos ocuparam o deserto durante os últimos 12 mil anos. Hoje, moram 750 mil habitantes concentrados em cidades litorâneas, pólos de mineração, vilas de pescadores e oásis. São descendentes de espanhóis, escravos africanos e índios que saíram dos Andes. O processo de povoamento da região costeira foi favorecido pela riqueza de nutrientes das águas da corrente marítima de Humboldt, no Pacífico.

A área próxima ao rio Loa, no norte do deserto, foi ocupada pelos chinchorros, o primeiro grupo humano a desenvolver a mumificação artificial. Algumas das múmias mais antigas do mundo (com mais de 9 mil anos) foram encontradas lá. Não é difícil entender o porquê: a ausência de umidade faz com que artefatos e objetos fabricados há milênios permaneçam em excelente estado de conservação. Um tesouro para arqueólogos. O aspecto assustador dessas condições é que há cidades fantasmas nas áreas centrais com casas onde não moram ninguém, mas que permanecem, por anos, com a mesma aparência de quando foram abandonadas – a impressão que se tem é de que poucas horas atrás havia pessoas ali.

Para quebrar a estabilidade desse deserto, só mesmo fenômenos climáticos de larga escala, como o El Niño, que é o aquecimento das águas do Pacífico. Essa anomalia oceanográfica origina chuvas na área desértica do Chile e do Peru e afeta ecossistemas terrestres. O nome foi criado por pescadores e significa “Menino Jesus”, porque aparece geralmente no mês do Natal.

O “Jesus” dos chilenos e peruanos traz chuvas fortes o bastante para penetrar o solo e dá origem a um dos maiores espetáculos naturais que podem ocorrer no Atacama: como em um passe de mágica, sementes que permaneceram latentes por anos se manifestam com todo o esplendor, numa explosão de cores e tipos vegetais. É mais uma vitória da vida sobre o deserto.

Área total - 106 513 km²

Área intacta - 80%

Área protegida - 1%

Conservação e ameaça

A natureza única dos ecossistemas do deserto do Atacama, a presença de espécies com capacidade surpreendente de adaptar-se às extremas condições áridas e o número significante de plantas e animais endêmicos fazem desta uma região de grande importância para a conservação. No entanto, a área protegida é irrisória. Há muitas propostas para aumentar o número de áreas de lomas a serem protegidas, mas nenhuma foi aprovada. As atividades de mineração, que contaminam os rios e poços d’água, são um perigo constante, e o impacto da densidade populacional ameaça as vegetações de lomas e seu singular ecossistema. Felizmente, as pessoas tendem a fugir das regiões desérticas e concentrar-se nas áreas urbanas, o que significa que largas extensões desse santuário devem continuar intactas.

Fonte: abril

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