Neve & um caso de polícia

24 de setembro de 2019
Neve & um caso de polícia

” Essa aconteceu em Agosto’91 , em Bariloche/Argentina, e é muito boa …

Na 3a semana do mês, recebi um grupo grande de Porto Alegre para uma skiweek no Cerro Catedral/Bariloche ; a tradicional nevada de Santa Rosa estava prevista para aqueles dias, e tudo indicava uma semana especial pela frente, com sol e neve powder.
Eram todos amigos, empresários conhecidos e suas famílias, e o astral da galera era de pura alegria … os dois primeiros dias foram esplêndidos, com muito ski ( nota : o snowboard ainda não existia ; aliás nem a web, nem o celular ) , jantares supimpas, e risadas mís.
A manhã do terceiro dia começou com uma nevada intensa … o café da manhã era uma alegria só, com as crianças saindo da Pousada para fazer bonecos e correr na neve aos gritinhos ; todo mundo falando ao mesmo tempo no refeitório – onde rolava uma friamente calculada seleção musical & com a vista do lago nahuel huapi nas janelas.

Fomos para o Cerro Catedral no buzunca da Galera, com direito a som & tragos ; o caminho estava difícil e demorado, com pouca visibilidade, neve e gelo na pista, aquela engronha de sempre.
Chegando lá depois disso tudo, a má notícia : não dava para subir … skilifts parados por vento e visibilidade nula nas pista – o que significava ficar escondido em alguma confeitaria até mudar a situação. Fomos todos para o ” Ski Ranch ” , que era o lugar mais legal da Base naqueles dias – as crianças seguiram com gritinhos & bonecos ; as mulheres fizeram um mesão animado ; e os homens ficaram circulando pelo confinamento, olhando pelas janelas, resmungando, é claro.
Nada mudou em duas horas … o tempo seguia horroroso, as crianças animadas, as mulheres cada vez mais felizes no mesão ; e os homens olhando pelas janelas, prestes a entrar em surto.

Aí … tive a brilhante ideia de propor um ” programa masculino ” .
– há poucos dias, havia sido inaugurado um negócio de aluguel de motos de neve, ao lado da bilheteria do Lado Bueno, que funcionava assim : a cada 15 minutos, saia uma excursão, por uma pista demarcada na montanha, com um guia na frente ; e, obviamente, seguia organizadamente uma fila indiana dos felizes participantes atrás dele.

– mas eu havia esquecido um detalhe fundamental : meus clientes eram todos loucos por carros – na realidade, eram pilotos de corrida, daqueles que competiam nos fins de semana.

Foi algo insano o que se sucedeu, imaginem só a cena :
– as famílias dos pilotos, turistas & esquiadores parados, passantes, e eu, ali apoiados numa cerca assistindo ao evento ;
– vagarosamente, com os motores pipocando, sai a fila indiana ;
– na frente, o guia e sua moto com uma bandeirola vermelha na ponta de um mastro – e uma seis ou sete motos atrás ;
– em 3 segundos ( ou menos ) , sai um deles pelo lado da fila , acelerando tudo e ultrapassando o guia – acompanhado instantaneamente por todos-os-outros em direção à ( no caso ) Curva 1 , onde três entram juntos, se chocando lateralmente, seguidos de cima por outros dois, que procuram uma brecha para tomar a ponta.
– e seguem pela pista, longe das nossas vistas, no meio das árvores … só ouvíamos o ruído dos motores, enquanto rolávamos todos de rir do absurdo da situação.

É claro que tudo terminou no posto policial do centro de ski .
Onde uma mistura feliz de boas relações & boas risadas & espírito de montanha + muito vinho tudo resolveram.
– na sequência o tempo abriu ; os skilifts começaram a funcionar ; e a galera, livre da prisão, foi esquiar.
– e o buzunca voltou para a pousada no fim da tarde cheio de risadas e cantorias.
Na noite teve churrasco, nevou pacas, ficou todo mundo bêbado, o som era magnífico… também tinha uma lua cheia bem em cima do lago nahuel-huapi, que fazia tudo na volta parecer meio mágico – e que ajudou a fazer tudo isso durar para todo o sempre na memória de muita gente bacana, amém. ”

Aloha do beto valle

Solo
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