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Equipamentos: não derrape na escolha

Passadas as primeiras experiências, você pegou gosto por deslizar sobre a neve. Repetiu a dose nas temporadas seguintes e se tornou seletivo ao alugar o equipamento. Esse é o comportamento mais comum de quem se apaixona por esqui ou snowboard e acaba optando por adquirir sua própria prancha ou par de esquis. Mas atenção! Na hora de comprar, uma boa assessoria é importante. Confira o que dois especialistas no assunto, Beto Valle e Sandro Sclovsky Saltz, diretores do POINT DA NEVE, têm a dizer.

ESQUI

Ao escolher o par de esquis, você deve considerar a modalidade e o nível da prática. “Para facilitar o entendimento, costumo comparar à compra de um automóvel”, assinala Beto Valle, diretor do POINT DA NEVE e esquiador há 40 anos. “Há carros que nos levam ao supermercado — esses vão desde um popular 1.0 até um Rolls-Royce. Existem também a Ferrari e o Porsche, que não usamos para ir ao supermercado, mas desejamos ter na garagem. Já os modelos de Fórmula 1 vemos apenas pela TV, e o Jeep é o carro ideal para fazer trilhas. Ou seja, cada modelo de automóvel tem um propósito, assim como cada modelo de esqui”, conclui.

Beto Valle, diretor do Point da Neve / Foto: Ricardo Lage

MODALIDADES

TURISMO – Nessa modalidade, é indicado o all mountain ski, que é o mais comum e o eleito pela maioria por sua alta resistência e ênfase no design. Opte por um modelo que se adapte fácil a qualquer terreno e adversidade. “Como a categoria se divide em diferentes níveis — iniciantes, intermediários e experts —, o equipamento vai ganhando em sofisticação e o preço, via de regra, aumenta”, explica Beto Valle.

ESPORTE – Para uso esportivo, privilegie esquis sensíveis e velozes. Entre as muitas opções encontradas no mercado, há o modelo park and pipe ski. Mas lembre-se: é preciso ser expert para fazer essa escolha! A alta velocidade só é recomendada se combinada com longa prática. “O equipamento para categoria esportiva é mais sofisticado e caro e varia conforme as características do terreno.”

COMPETIÇÃO – Há cerca de dez anos, os esquis passaram a ser fabricados em formato parabólico, onde as pontas são mais largas do que o centro para estabilizar o esquiador. Foi o início do carving, que representou uma revolução. Os modelos de competição, no entanto, são menos carving. Você só os verá pela TV ou se der sorte de estar na montanha durante um grande torneio. “Esses esquis são extremamente tecnológicos, e a especificidade varia de acordo com a condição da pista.”

FORA DE PISTA – Fora das pistas a neve é sempre muito fofa. Nesse caso, a melhor escolha é o powder ski, que apresenta maior superfície de contato e maciez.

COMPRIMENTO

Não há um tamanho perfeito para cada altura e peso, mas o design parabólico dos esquis recomenda que o comprimento tenha entre 80% e 100% da altura do esquiador. “Quando as pessoas me consultam, costumo sugerir esquis com aproximadamente 10 centímetros menos que a altura do esportista”, orienta Beto Valle. Experts e profissionais, no entanto, costumam escolher um tamanho um pouco maior que a altura deles. Mas há várias razões para optar por modelos mais curtos ou mais longos. Os curtos são adequados para praticantes intermediários, para aqueles com peso mais leve do que a média para a altura e ainda para os que gostam de fazer curvas rápidas e curtas. Já os esquis maiores são indicados para quem tem um desempenho veloz e agressivo, para praticantes de freeride e aqueles com peso superior à média para a altura.

 

SNOWBOARD

Muito além do design, a compra de uma prancha está condicionada à modalidade praticada, ao peso e altura do esportista e às condições da montanha. Apesar de óbvias, essas variáveis confundem um bocado quando se está em frente ao vendedor. Escolher uma prancha de snowboard é mais ou menos como escolher uma de surfe. Confira, a seguir, o que você deve ponderar na hora da compra.

Sandro Sclovsky Salts, diretor do Point da Neve / Foto: Ricardo Lage

MODALIDADES

FREESTYLE – É o estilo para fazer park, pipe, trilhos e saltos com giros. Se você gosta de half-pipe ou snowpark, o mais conveniente é uma prancha com muito pop. Se optar por realizar truques técnicos, uma twintip (bidirecional) é a mais adequada, enquanto as direcionais irão servir se o contato com a neve for maior. “No geral, o ideal é uma prancha leve para facilitar a movimentação”, recomenda Sandro Sclovsky Saltz.

FREERIDE – Se a preferência for fazer saltos, praticar methods, passar em meio às árvores e ficar fora de pista na neve fofa (powder), você aceita todo o tipo de condição de neve. Por isso, sua prancha precisa responder a todas as ocasiões. Nesse caso, o recomendável são pranchas maiores. “Em termos gerais, estamos falando de equipamentos flexíveis e muito resistentes, que respondem perfeitamente e proporcionam controle.”

ESTILO ALPINO – Se seu desejo é competir, necessitará de total precisão. As pranchas devem ser estáveis a alta velocidade e transmitir força. Nessa categoria, pranchas agressivas e rígidas respondem com perfeição quando a neve está muito dura, além do que, quanto mais angulação você abrir (ou suportar), melhor será. “No estilo alpino, o equipamento deve vir acompanhado de botas duras como as usadas por esquiadores.”

COMPRIMENTO

Depende do gosto pessoal, do estilo que você pratica e do seu peso. No freestyle a tendência é optar por pranchas mais curtas, pois facilitam a execução dos truques. Os homens costumam usar pranchas mais compridas do que as mulheres, porque, no geral, pesam mais. “Como orientação geral, deve-se observar a relação do comprimento da prancha com o peso e o estilo do rider.”

LARGURA
Se a prancha for menos larga, o esforço para mudar de canto será menor e a facilidade para manter a prancha na trajetória e realizar o manejo, maior. Porém, se você for iniciante, terá menos estabilidade. Vale lembrar ainda: a medida também deverá respeitar a largura da bota para que esta não encoste na neve enquanto a prancha estiver inclinada durante o carving.

BOTAS
Se o pé for grande, é importante que ele não sobressaia da prancha, evitando contato com a neve. Experimente várias botas antes de comprar, já que cada modelo tem sua própria forma.“A bota é onde você não deve economizar, porque, com certeza, irá trocar de prancha algumas vezes, mantendo a mesma bota”, aconselha Sandro.

DURA OU FLEXÍVEL?
Uma prancha mais flexível facilita o início do giro e a execução de alguns truques, mas será menos estável a alta velocidade. Já uma mais dura proporciona maior estabilidade em velocidade e favorece a segurança e o equilíbrio sobre as edges em neve dura. Porém, dificulta a execução de truques e complica o início dos giros. “Você deve ficar atento à torção, que é a flexão da prancha em relação ao seu eixo central. Uma torção suave pode facilitar alguns truques, enquanto uma torção dura pode auxiliar a se segurar nos giros.”

ESTILO E NÍVEL DE PRÁTICA
Se você está iniciando no esporte, o melhor é uma prancha menos rígida, que se adapte às diferentes situações até que defina seu estilo. Se preferir saltos em kickers (grandes ou pequenos) ou estiver interessado no powder, uma prancha suave e flexível é ideal. “Um equipamento rígido é mais estável, porém mais difícil de manejar se você não for experiente no esporte. Com uma prancha menos rígida, será mais fácil fazer um ollie e você terá menos dificuldade no manejo”, finaliza Sandro Sclovski Saltz, snowboarder há 28 anos.

AQUISIÇÃO

Uma boa dica para quem vai comprar é pesquisar pela internet. Hoje, é possível criar designs especiais e até mesmo testar virtualmente o produto. “Numa busca rápida, você já pode descobrir quais os modelos considerados topo de linha”, comenta Beto Valle. Para ele, a compra de esquis, por exemplo, se justifica quando o esportista esquia duas temporadas por ano, após uma longa pesquisa e se for expert. “Esse é o perfil de quem sabe que é enorme a influência do equipamento na qualidade da descida. Pesquise sem pressa e sem preguiça. Sentir-se progredindo em seu próprio par de esquis ou prancha de snowboard é uma sensação bem parecida a de se apaixonar.”

Esse conteúdo faz parte da revista do Point da Neve – Temporada 2017/2018. Para ler o conteúdo completo é só clicar aqui

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