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Bariloche

Beto Valle – AYUDA MILITAR
Bariloche

AYUDA MILITAR

Bariloche / 1990

Eu estava no Cerro Catedral junto com o Oscar Liuzarraga – um tradicional agência de neve de Bariloche, e o Freddy Tosthrup – um dos mais antigos instrutores de ski da Argentina, atleta olímpico, dois queridos e inestimáveis amigos. Havíamos almoçado e estávamos colocando o equipamento para fazer uma descida até à base quando uma cena nos chamou a atenção.

A pista era o Lynch – aquele pequeno pedaço que fica entre o restaurante da parte de cima, e a estação das cadeirinhas, logo abaixo: o Lynch é uma pista curta, fácil e muito frequentada por ser gostosa de esquiar e pelo seu soberbo restaurante.

Um pai esquiava com duas filhas, os três muito iniciantes, e ele tentava ” dar aula ” para as duas meninas, com resultados desastrosos: em um momento, estavam os três caídos, a neve estava bem fôfa, e não conseguiam ajeitar todos os conhecidos badulaques que os esquiadores carregam… havia óculos, luvas, bastões, skis espalhados, e o pai mostrava-se muito angustiado, impotente, gritava instruções para as filhas, e nenhum deles conseguia fazer nada útil.

Ao lado, um pelotão do exército argentino treinava, um capitão e uns 15 soldados; e vinham devagar, fazendo longas curvas em fila, o oficial na frente e os soldados atrás. Quando o capitão passou pela família caída, parou logo em seguida para oferecer ajuda, e os soldados foram passando por ele, ficando um ao lado do outro, em descida, aguardando ordens de seu lider.

O capitão gritou (para toda a montanha ouvir) para o soldado mais de cima:

– Aragón, ayude la señorita a bajar hasta la silla!

O soldado respondeu, com todas as suas forças

– Sí, mi capitán!

O soldado Aragón, que se encontrava ao lado de uma das meninas, ajudou-a a colocar o equipamento, colocou-a abraçada às suas costas, e começou a descer.

Nem cinco metros.

Errou a curva e bateu no primeiro soldado da coluna, iniciando um processo de queda coletiva que jamais voltei a ver… quase todos foram ao chão, e isso fez parar a montanha, todos haviam visto a confusão inicial, ouvido os gritos do capitão e do Aragón, e prestavam a atenção na cena quando começou o boliche – ensaiado, não teria sido tão engraçado e demolidor.

Rolavam todos de rir daquela situação que não terminava, levou um tempão para que todos conseguissem ficar de pé sobre seu equipamento novamente, e um monte de gente acabou ajudando a família e aos soldados – que riam tanto quanto todo mundo, incluindo o capitão…

O assunto ficou famoso na cidade, foi a gozação da temporada, e muitos dos antigos ainda gostam de contar esta história nas rodinhas de mate na frente de alguma fogueira… nas inigualáveis noites de neve, estrelas e amigos em Bariloche.

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