Camila Joner - LA FONDUE BETTY - Neve - Esportes de neve - Turismo de neve

Chapelco

Camila Joner – LA FONDUE BETTY
Chapelco

LA FONDUE BETTY

Cidade nova para os olhares ávidos de conhecimento daquelas duas.

Já haviam viajado para San Martin de Los Andes diversas vezes, mas somente através da tela de computador, surf na web quase que diário, horas e horas de estudos de mapas e folders da região, anotações intermináveis dos relatos de experiências de amigos conhecedores do lugar. Mas ao vivo assim, de pertinho, a cores, cheiros e sabores, isso era a primeira vez.

A alegria era visível na cara das duas. O cansaço também. Mas e quem precisa dormir quando se está conhecendo novos e fascinantes lugares, pessoas e culturas?

Contrastando com o aroma primaveril do início de setembro, estava bastante frio. O ar perfumado, mas gelado, pedia uma comida bem quentinha e o corpo quase que implorava por um bom vinho.

Decidido! A primeira noite em Chapelco seria celebrada com um fondue, ainda não experimentado naqueles dez dias de viagem pela Argentina. Elas haviam visto mais cedo um pouco, durante o city tour, que havia em algum ponto da cidade um restaurante especializado nesta culinária.

Gorro, luvas, casaco, ceroula e pernas pra que te quero. Apesar do frio, decidiram ir caminhando, assim veriam a cidade a noite: a outra cara de San Martin. A bela iluminação noturna fazia um jogo de luz e sombra ora preto, ora amarelo formando esculturas nas paredes de ciprestes das cabanas da Villa. Havia uma colcha azul marinho retalhada com furinhos brancos brilhantes sobre um mar de delicadas cerejeiras delineando as ruas de arquitetura suíça de montanha completando um cenário de agradável visão aos olhos, colaborando ao ar romântico da cidade. As famílias e crianças que passavam falando rapidamente um espanhol carregado quebravam ligeiramente esse clima que já estava fazendo doer os cotovelos das duas amigas.

O passeio estava muito agradável, a vista belíssima, o cheirinho que vinha das fumegantes chaminés de pedra dos restaurantes era delicioso, mas fazia a fome apertar vorazmente.

– E esse restaurante que não chega nunca?

Depois de mais alguns minutos caminhando:

– Eu tô achando que é pro outro lado.

E mudavam de rumo…

– Não, não, não é aqui, veja, já chegamos na água.

O espelho esmeralda denunciava o fim da cidade e o começo do lindo lago Lácar.

– Ai que frio, não aguento mais, vamos comer massa mesmo?

– Não, hoje é a noite do fondue!!

– Ok, ok…

E lá iam elas em outra direção num zigue e zague sem fim entre as quadras perfeitinhas de San Martin. Depois de muitos outros passos apressados, enfim é avistada uma placa escrito “La Fondue Betty”.

– Ufaaa…

Entraram correndo sem pestanejar. Dentro da taverna repleta com uma variedade incrível de vinhos que preenchiam as grandiosas prateleiras que, por sua vez, encobrindo as paredes, elas viam somente alguns casais falando baixinho e trocando carícias. As mesas, cadeiras, talheres e pratos eram todos diferentes entre si. Nenhuma família comeria da mesma maneira ali dentro. Elas escolheram a mesa redonda de madeira de lei, com grandes pratos brancos quadrados. Atendimento rápido e atencioso unidos a um ambiente quentinho e aconchegante, fondue delicioso, vinho de qualidade com preço modesto fizeram a alegria das meninas. Mas como toda mulher, assim que um desejo era satisfeito, outro já começava a ser elaborado:

– Queria uma cama aqui do lado da mesa… ai, que sonoooo…

A volta seria de táxi, com certeza! Andar tudo aquilo denovo com uns… hum… digamos três quilos a mais na “pochete” pra carregar seria muita crueldade. Após umas quatro largas quadras de caminhada num frio de quase zero graus e com o “bucho” cheio de uma mistura de queijo, pão, carne, chocolate, frutas, trocando as pernas por conta do vinho – que era maravilhoso e barato, não tinha como não apreciar aquela, humm… ique… décima taça… – encontraram, finalmente, o aparentemente último táxi acordado da cidade.

– Ufaaa 2…

– Acho que vou tirar uma soneca até o hotel… hum, que vinho bom aquele…

– Que já chegou??

– Nossa, dormimos e nem vimos o tempo passar mesmo!

– Extremamente barato o táxi aqui também, não? ou fui eu que bebi demais?

Após profunda noite de sono, amanhece um lindo dia de sol radiante e céu inabalávelmente azul. As amigas decidem ir rapidamente á loja de roupas alugar os equipamentos e macacões para passar o dia no centro de ski.

– Temos só vinte minutos antes do pessoal do receptivo vir nos buscar.

– Sem problemas, a loja fica a uma quadra daqui, veja no mapa.

– O que, você tinha mapa?? E porque ficamos perdidas ontem a noite???

A cara “de tacho” da amiga dispensava comentários.

Ao atravessar a rua, saindo do lobby do hotel as duas páram. Imóveis, pálidas, mudas e perplexas. Lá estava ela, na mesma quadra, logo na outra esquina: “La Fondue Betty”.

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