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Gastronomia em Ushuaia

SABORES DO FIM DO MUNDO

Uma rede hoteleira de primeira, um centro de esqui invejável e paisagens deslumbrantes compostas por bosques, montanhas e geleiras. Esse conjunto faz de Ushuaia um dos destinos mais atrativos da Argentina. Mas a cidade ainda oferece algo mais: a primorosa gastronomia. A cada ano aportam em Ushuaia chefs de várias procedências, que optam por lá se estabelecer. Nessa ponta do mundo onde o oceano Atlântico se une ao Pacífico, a boa mesa aplaca o frio.

Restaurante Volver | David Roldan - Divulgação

Restaurante Volver | David Roldan – Divulgação

Ushuaia, a capital da província da Terra do Fogo, tem a origem de seu nome na fusão das palavras ushu e aia, que no idioma de seus antigos nativos significa “baía profunda”. Em suas gélidas águas estão os mais saborosos frutos do mar, encontrados somente ali. Não à toa, chefs de todos os cantos do mundo visitam o lugar. A fama corre mundo e nos últimos anos, seja inverno ou verão, a cidade vive repleta de turistas.

TURISMO INTERNACIONAL

Ao lado do marido Javier Gallizzi e mais outros dois sócios, a argentina Luciana Lupotti é proprietária do Patagonia Villa Lodge e mora em Ushuaia desde 1998. Ela é testemunha da internacionalização da cidade, onde o que menos ouve é o espanhol. Acostumou-se com o inglês, o português e demais idiomas das centenas de turistas. “Eu amo esse astral, pois gosto de conhecer gente de todo o mundo. Morei nos Estados Unidos e na Europa. Conheci vários lugares, mas Ushuaia foi amor à primeira vista.” A expressão “fim do mundo”, usualmente pejorativa, associada à escassez de atrações, nesse caso é garantia de uma rotina nada ociosa. “As pessoas pensam que o verão aqui é pouco atrativo. Mal sabem que, nessa época, aportam navios com 1.500 turistas”, informa Luciana.

Luciana Lupotti e o filho Luca Galizzi | Arquivo pessoal

Luciana Lupotti e o filho Luca Galizzi | Arquivo pessoal

DELÍCIAS DO MAR

Entre os que visitam Ushuaia, há os que decidem ficar. É o caso de muitos chefs que viajam ao destino, atraídos pelos crustáceos e pescados raros. A qualidade das refeições tem um segredo: a relação direta entre pescador e cozinheiro, que assegura receitas que fazem a fama da cidade. Entre elas, a centolla, um crustáceo enorme, cheio de farpas e sabor estupendo. Cada animal pode pesar quase dois quilos, e suas patas chegam a ultrapassar um metro de largura entre uma ponta e outra. A carne farta vem guarnecida com limão, molhos, salada e arroz. Não menos relevante à culinária local é a merluza negra, que ganhou o apelido de bacalhau de profundidade por ser encontrada a 70 metros abaixo do mar. “Para mim, é o pescado mais saboroso do mundo”, avalia Jorge Monopoli, chef do restaurante Kalma. Segundo Monopoli, à diferença da centolla, cuja pesca se dá entre março e junho, a merluza negra é encontrada durante todo o ano. “Mas vale lembrar que a centolla nunca sai do cardápio, pois mesmo congelada mantém o sabor.” Peixes e crustáceos não fazem a festa apenas dos turistas. “Em Ushuaia todos pescam. Meu marido, por exemplo, aprecia pescar trutas, e as que temos aqui são tão grandes que se parecem com salmão”, comenta a empresária Luciana Lupotti. Para Jorge Monopli, a dieta se assemelha a outros lugares da Argentina, mas com itens próprios do Canal de Beagle – canal que delimita a fronteira entre Chile e Argentina e também separa as ilhas do extremo sul do continente da Terra do Fogo.

Jorge Monopoli, chef do restaurante Kalma

Jorge Monopoli, chef do restaurante Kalma

Iguaria preparada no Kalma Resto Cocina de Autor

Iguaria preparada no Kalma Resto Cocina de Autor

CORDEIRO FAMOSO

“70% da dieta argentina baseia-se na carne vermelha”, afirma Lino Adillon, chef do afamado Volver. Assim, por mais marítima que seja a gastronomia, é impossível deixar o churrasco de fora. Nenhum assado é tão requerido quanto o cordeiro patagônico. Os animais são criados nas províncias vizinhas de Santa Cruz e Chubut. O preparo leva alho, salsinha, pimenta moída, rosmaninho e menta, ingredientes que ressaltam o sabor da carne. No entanto, as receitas variam bastante de um restaurante a outro. Há os que oferecem o cordeiro ensopado, ao forno ou brochetes. Como quer que seja servido, é um prato delicioso, e degustá-lo é programa obrigatório.

Restaurante Volver | David Roldan - Divulgação

Restaurante Volver | David Roldan – Divulgação

FRUTA MÍSTICA

Dos arbustos verdes com flores amarelas nasce a mais tradicional fruta da região, o calafate. Segundo uma lenda indígena, uma jovem de nome Calafate foi transformada num arbusto ao tentar fugir com um rapaz da tribo vizinha. O pequeno fruto seria o coração da jovem. Com ele, são preparados geleias, licores, sorvetes, alfajores, biscoitos recheados e o que mais a imaginação permitir. E nem pense em não experimentar a fruta. Reza ainda outra lenda – esta mais recente e popular – que quem prova o calafate retornará a Ushuaia.

NÃO DEIXE USHUAIA SEM CONHECER…

Pescados, frutos do mar, cordeiro, empanadas, vinhos e cervejas são as atrações dos menus em Ushuaia. Embora existam estabelecimentos para todos os gostos, há os que viraram unanimidade entre turistas e moradores. Confira a seleção!

RESTAURANTES

Kalma Resto Cocina de Autor | A simplicidade de sua fachada azul contrasta com a sofisticação do cardápio à base de frutos do mar, sendo a centolla e a merluza negra as atrações. “Oferecemos menu-degustação com os melhores ingredientes da Terra do Fogo”, afirma o chef e proprietário, Jorge Monopoli, que faz questão de circular entre os clientes, explicar o cardápio e dar sugestões.
Gobernador M. F. Valdez, 293

Kalma Resto | Valeria Otero Faus - Divulgação

Kalma Resto | Valeria Otero Faus – Divulgação

Kalma Resto | Valeria Otero Faus - Divulgação

Kalma Resto | Valeria Otero Faus – Divulgação

Valeria Otero Faus - Divulgação

Valeria Otero Faus – Divulgação

Restoran Volver | Sua decoração exótica é a representação fiel do talentoso chef Lino Adillon. Ali, é possível escolher a centolla ainda viva dentro do aquário. “Você terá a intensa experiência de vivenciar algo novo e inesperado”, promete Lino. Quem estiver interessado em uma aventura gastronômica também pode degustar carne de castor. De sobremesa, a casa oferece seu famoso sorvete de calafate.
Maipú, 9410

Restaurante Volver | David Roldan - Divulgação

Restaurante Volver | David Roldan – Divulgação

Restaurante Volver | David Roldan - Divulgação

Restaurante Volver | David Roldan – Divulgação

Chez Manu Restaurant | Quando chegou a Ushuaia vindo da França, no final da década de 1990, o chef Emmanuel Herbin tinha em mente oferecer uma gastronomia inspirada na culinária francesa, mas com ingredientes da Patagônia. Dessa fusão nasceu o Chez Manu. O restaurante fica afastado do centro, mas a localização no alto de uma colina compensa pela vista. No cardápio, um vasto repertório de frutos do mar e o tradicional cordeiro da Patagônia.
Fernando Luis Martial, 2135

Kaupé | Ambiente pequeno e aconchegante. A dica é fazer reserva antecipada e, se possível, pedir uma mesa próxima à janela. Degustar um vinho, saborear um crepe de centolla e apreciar o belo visual da cidade é um programa e tanto! Nesse restaurante de administração familiar, os frutos do mar protagonizam o cardápio e a carta de vinhos é completa.
Pres. Julio Argentino Roca, 470

Kaupé | Divulgação

Kaupé | Divulgação

Bodegón Fueguino | Prepara um dos mais tradicionais cordeiros da cidade. A iguaria é apresentada em diversas receitas e acompanhamentos. Além do cordeiro, oferece outros tipos de carne, massas e saladas. Seu interior é rústico, com paredes de madeira e poltronas revestidas em lã.
San Martín, 859

Maria Lola | Indicado para os amantes de uma boa massa. No Maria Lola, elas são leves e vêm acompanhadas de pescados e frutos do mar. O ambiente é simples, a decoração nada extravagante. Tudo para você se concentrar no ravióli recheado com centolla, a especialidade da casa.
Governador Esteban Deloqui, 1048

Tia Elvira | Há mais de 40 anos, mesmo antes das pessoas ouvirem falar em centolla, o restaurante já era especializado na iguaria. A poucos metros do Canal de Beagle, sua localização é um dos diferenciais. Chegar lá é um passeio bacana; por isso o ideal é ir de dia para contemplar a exuberância das águas.
Maipú, 34

VINHO

“Em todos os restaurantes você encontra uma carta de vinhos completa e variada. Os melhores possuem suas próprias adegas. Minha dica, no entanto, é escolher um vinho na Quelhue e levá-lo ao restaurante”, recomenda o chef Jorge Monopoli. A Quelhue é a maior casa de vinhos da cidade e unanimidade entre os nativos. “Se você aprecia um vinho suave e equilibrado, sugiro um pinot noir ou merlot da Patagônia. Se o desejo for por um branco, proponho um torrontés de Salta”, indica Monopoli. “Não deixe de provar o pinot noir, syrah e merlot Los Misterios, de Ernesto Catena”, também recomenda o chef Lino Adillon.
Quelhue San Martin, 214

 

CAFÉ E MEDIALUNA

Tante Sara | Ideal para quem deseja um café ou um brunch com dulce de leche, medialunas, empanadas e tudo o mais que a afamada confeitaria argentina tem a oferecer. Luciana Lupotti, empresária de Ushuaia, é cliente assídua da casa. “Você vai experimentar tortas que não provou em nenhum outro lugar”, derrete-se ela.
San Martín, 701

CAFÉ E MEDIALUNA

Almacén Ramos Generales | Um dos locais mais históricos e singulares para se fazer uma refeição. Misto de padaria, restaurante, doceria, vinoteca e museu, foi inaugurado no começo do século XX pelo comerciante Don Jose Salomón. Após peregrinar pelo Líbano fugido da guerra, da fome e do preconceito, Salomón ancorou em Ushuaia em 1913. Por muitos anos o Almacén Ramos Generales sediou encontros sociais e, por isso, foi fundamental ao desenvolvimento da cidade. Sua decoração é repleta de objetos antigos. O cardápio é variado, com sopas, massas, carnes e empanadas deliciosas.
Maipú, 749

Almacén Ramos Generales

Almacén Ramos Generales

La Cabaña | Parece uma casa de boneca! A estrutura de madeira confere aconchego ao local, conhecido por servir as melhores tortas da região. Outro atrativo é sua localização, ao pé do Glaciar Martial. Uma dica é subir de teleférico a montanha e, na descida, se deliciar com um brunch no La Cabaña.
Luis Fernando Martial, 3560

La Canaña - Divulgação

La Cabaña – Divulgação

CERVEJA

Beagle | É a artesanal mais afamada da cidade. Produzida nos tipos ale, stout, india pale ale, entre outros. É muito saborosa, e uma Beagle no fim do dia não cai nada mal. É vendida nos principais restaurantes e pubs.

Revista Point da Neve 2017-2018 | Cerveja Beagle

Cape Horn | Outra tradicional cerveja artesanal da Terra do Fogo. É produzida nos tipos pilsen, pale ale e stout. Destaque para a stout, com sua coloração negra, boa espuma e aromas de malte, café e chocolate. Assim como a Beagle, é facilmente encontrada em restaurantes e bares.

Patagonia | Opção industrializada para quem prefere fugir da popular Quilmes. É oferecida nos tipos amber, lager, pilsen e witbier, sendo este último o mais popular por ser leve e frutado.

Dublin Pub | Essa cerveja você encontra no Dublin Pub, além de outras opções internacionais. É um point disputado entre turistas que buscam agito. Lá, você encontra mesas e balcões lotados, gente em pé e rock clássico. A pipoca é cortesia da casa para o cliente sentir sede e recorrer à cerveja. “Gosto de ir ao Dublin Pub para conversar com pessoas dos mais variados lugares. É isso que torna Ushuaia rica e divertida”, comenta o chef Jorge Monopoli.

Esse conteúdo faz parte da revista do Point da Neve – Temporada 2017/2018. Para ler o conteúdo completo é só clicar aqui

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