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Valle Nevado

Felipe Motta
Valle Nevado

Camila Joner, Entrevista Especial Felipe Motta

Felipe Motta pratica e adora o skate desde moleque, mas foi quando fez um intercâmbio estudantil nos EUA, que descobriu o que seria a maior paixão da sua vida. O então menino de 15 anos já havia assistido a várias propagandas e vídeos de snowboard na televisão, seus novos amigos americanos falavam muito no assunto e ele já estava apreensivo para experimentar. Quando enviaram-no para Vermont, um lugar muito frio na fronteira nordeste dos Estados unidos com o Canadá, e bem no meio do inverno, o skate virou snowboard e, o snowboard virou vício. O paulista de 33 anos, hexa campeão brasileiro de snowboard, conversou com o Point da Neve esta semana. Combinamos que a entrevista seria por telefone, às 14h de sexta-feira. Felipe estava no táxi, a caminho do aeroporto, onde iria embarcar rumo a uma reunião de negócios.

Ao final de sua temporada adolescente na terra yankee, Motta gostou tanto do snow que só pensava em como iria fazer para sustentar suas próximas skiweeks. Em sua primeira vez em um campeonato brasileiro oficial, no Chile, em 1997, Felipe ficou em 6º lugar entre 15 participantes. A medida que ia progredindo no snow foi conhecendo pessoas influentes dentro do esporte e buscando maneiras de bancar seus treinos. Enquanto isso, continuava a estudar e viver no Brasil, indo à neve quando rolava grana e tempo. Em 1999 Felipe se graduou em Engenharia e foi convidado a trabalhar no Bank of Boston. Muito interessado em negócios, cresceu rápido dentro da empresa e, com mais dinheiro no bolso, ficou mais tranqüilo de viajar para as estações de ski. No ano seguinte participou de mais um champ brasileiro e desta vez foi campeão. Primeiro lugar no Big Air FiS e primeiro no Snowboardcross aberto. Os patrocínios enfim começaram a fluir. A evolução crescente o levou a correr a Copa do Mundo e então tomar uma importante decisão: abandonar a carreira dentro do banco e arriscar tudo no snowboard. Financeiramente não fazia o menor sentido, não era nada rentável ser um atleta de um esporte de neve representando um país onde não existe a mesma. Mas a experiência incrível que ele vivenciou nos anos seguintes tornava até os perrengues bacanas. Em 2001 ficou em 1º no half pipe no Valle Nevado. Em 2002 repetiu a dose e faturou também o 1º no snowboardcross, além de receber o prêmio de “Melhor Atleta do Ano” na modalidade Ski e Snowboard. Em 2003 a empresa de telefonia Oi entrou forte no mercado jovem e patrocinou o snowboarder por um ano. Foi um bom respiro para Motta, mas não pagava todas as contas. Neste ano ele ficou em 1º lugar no Snowboardcross, 2º no Halfpipe e em 29º lugar no Ranking Overall Mundial FIS.

Após morar entre Canadá, Europa, Brasil e Estados Unidos por 5 anos para poder treinar, já recheado de medalhas e trabalhando “part time” em uma empresa gringa, um de seus patrocinadores, o indicou para comandar o grupo Quiksilver no Brasil. Isso aconteceu em 2004, no mesmo ano em que foi penta campeão brasileiro profissional de freestyle e manteve o 29º no ranking Overall. Por escolha própria, talvez no auge de sua carreira no snow, ele passou a se dedicar principalmente ao trabalho. A empresa, que trabalha com as marcas Quiksilver, Roxy, DC Shoes e Rossignol, foi um MBA prático para Felipe, que abriu muitas oportunidades para o Brasil neste mercado de esportes de prancha e cultura jovem. Ele passou então a intercalar o snow com manobras na água (surf) e no concreto (skate). Mas mesmo com o foco principalmente no trampo, Motta não perdeu o jeito, nem o talento e continuou a acumular títulos. Em 2008 ele faturou o hexa em Chapelco!! Hoje, após a experiência na Quiksilver, ele é um empresário dedicado a sua própria empresa, a Lotus Dist., distribuidora da marca de tênis de skate Emerica no Brasil.

Depois de pagar o táxi, já em direção ao check-in, Felipe declarou que a estação de ski que mais curte em todo o mundo sem dúvidas é Whistler no Canadá, e em questão de beleza, ressalta os Alpes Suíços como os mais belos. Aqui no hemisfério sul ele destacou Las Leñas, mas advertiu que a curtição depende muito do nível em que está o esquiador, pois o mais bacana de lá são os fora de pista, e pra isso é necessário experiência e muito respeito a montanha. “Em Lãs Leñas, andei em uma das mais avançadas cadeirinhas do mundo, que deve abrir só duas vezes por temporada, a Masters, é melhor que helicóptero.” Importante resaltar também que todos os campeonatos brasileiros e sul americanos são organizados e abertos a todos pela CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve), que tem uma gestão super profissional e permite que o snow seja bem representado nas competições mundiais e olímpicas, como é o caso da classificação e participação da Isabel Clark nas últimas e nas próximas agora em Vancouver… Fica a dica!

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