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Ushuaia e Calafate

Dicas úteis

1. Ushuaia, por sua posição geográfica extrema – pense bem, não existe nenhuma outra cidade do planeta tão próxima à Antártida, são apenas 800 km de distância entre a Terra do Fogo e o continente antártico – tem características muito marcantes em diversos sentidos: você irá conviver, no seu dia a dia, com coisas que não está acostumado e que ficarão gravados em sua memória; isso é a Patagônia!

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O céu de Ushuaia: pode ter certeza de que o céu, na região da terra do fogo, é bem diferente daquele que você vê aqui no Brasil. Durante o dia, nuvens esfarrapadas, fruto do intenso vento das altitudes mais elevadas – ali se encontram os oceanos atlântico e pacífico, e há os encontros de correntes de ar – é o cotovelo do mundo; e durante a noite, as estrelas parecem ter mudado de lugar e de posição – além do que você irá ver muitas, mas muitas estrelas, pois a atmosfera limpa e ausência de luminosidade em centenas de quilômetros ao redor são aliados seguros para quem gosta de olhar para o céu à noite. Enfim: o céu da patagônia é deslumbrante!

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A fauna de Ushuaia: imagine enxergar, todos os dias, pingüins aos bandos, por exemplo… ou passar ao lado de um elefante-marinho que descansa suas toneladas após uma refeição de muitos peixes… estar olhando o mar e ver um rabo de baleia levantar, majestoso, a pouca distância… sim, os animais desta região da Patagônia são exóticos, e este um contato para lá de marcante na vida de qualquer um.

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A arquitetura de Ushuaia: a cidade, que durante muitos anos serviu apenas como ponto de ocupação de território, presídio, e apoio a atividades pesqueiras extremas (puxa, estamos hablando do “fim do mundo”!) é uma mistura de casinhas coloridas com telhados de zinco, casas estilo colonial, prédios modernos, numa mistura que encanta a todos os turistas: é difícil você encontrar uma cidade com aparência tão exótica – também ressaltada pela geografia, com o mar na frente e as montanhas cercando de muito perto. Pura Patagônia!

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A população de Ushuaia: você irá encontrar um pessoal muito gentil e simpático, que convive há muitos anos com o turismo e assim entende a importância de um ótimo tratamento aos visitantes como fonte de subsistência desta região patagônica; assim, junto com os locais você irá ver, também, gente vinda de todo o mundo para conhecer as belezas da Terra do Fogo, para ver baleias e pingüins, a flora e toda fauna da região – e os turistas que descem dos navios de cruzeiro que quase todos os dias ancoram em Ushuaia, para o pessoal conhecer a cidade, fazer umas comprinhas e aproveitar os muitos restaurantes.

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Os passeios de Ushuaia: há muita coisa para ver e fazer na região… desde os passeios de catamaran, para avistar os animais que ocupam as ilhotas (e você irá cansar de ver pingüins, elefantes-marinhos, focas, lobos-marinhos) , a visita ao antigo presídio (imperdível, brrrrrr….), o passeio com o trem-do-fim-do-mundo, em que os presidiários eram levados aos bosques da região para cortar lenha; o parque nacional, o Cerro Castor… a cidade, além disso, é zona franca: Ushuaia tem um bom numero de lojas, que vendem coisas do mundo inteiro, e a preços mais que convidativos. Enfim: a semana passa rápido, e há mais coisa para ser feita em Ushuaia do que tempo disponível – e assim você terá ocupação total para seus olhos e sentidos durante a sua viagem para a Terra do Fogo.

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Os restaurantes de Ushuaia: como a cidade recebe muitos turistas que se dirigem à Patagônia – e eles vem de todas as partes do planeta – há um ótimo número de bons restaurantes, oferecendo comidas de todo o tipo, mas a pedida local é, claro, curtir as delicias do mar: você poderá comer peixes, ostras, mariscos, mexilhões, vieiras, centollas (aqueles enormes caranguejos) polvos, lulas sem parar, com receitas incríveis e temperos exóticos. Você terá, enfim, comida para todos os gostos, desde o hambúrguer até a lagosta mais refinada.

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Falando em passeios em Ushuaia… o tal presídio é realmente algo muito impressionante, com suas paredes enormes, suas celas que abrigavam os inimigos políticos (e os viam morrer em pouquíssimo tempo pelas condições terríveis do lugar) e as incríveis histórias que são contadas pelos guias que acompanham as visitas. Não perca a história do Enano Orelludo, um personagem local – imperdível. Coisas da Patagônia!

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O Museu do Fim do Mundo é uma pequena casa no centro de Ushuaia… para quem gosta de história, é uma visita obrigatória: as incríveis dificuldades envolvidas com a formação do povoado, o extermínio dos nativos pelos espanhóis, os tempos da pesca das baleias-franca e baleias-jubarte , com fotos e diários da época, artefatos, espécimes encontrados na região – enfim, dá para passar horas dentro deste lugar encantado, conhecendo detalhes e curiosidades da Patagônia Argentina.

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Para quem gosta de manter a forma enquanto está viajando, uma dica legal: correr em Ushuaia é muito legal… imagine, você está a 800 km da Antártida, tudo à sua volta é muito diferente de tudo o que já viu por aí, e de vez em quando você cruza com um leão-marinho tomando um solzinho; ou uma baleia mostra a sua enorme cauda… ao fundo, transatlânticos, barcos de pesca… Mas bah! >>> leve os seus tênis junto!

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Dica para comer (muito) bem em Ushuaia: O Restaurante Tia Elvira, uma tradição desta cidade patagônica! Você está na beira do oceano, e assim… a escolha natural é para as coisas do mar: pescados, camarões e lagostas, ostras e mariscos, mexilhões, vieiras, e as famosas centollas – aqueles caranguejos enormes e deliciosos! Veja estas 3 fotos: um prato de centolla, uma merluza negra com batatas ao forno, e um risoto de mariscos – uma delícia a mais neste seu roteiro no Fim do Mundo!

 

2. El Calafate está cada vez mais famosa… este pequeno vilarejo, às margens do Lago Argentino (o maior lago do país vizinho) é o ponto de apoio e acesso aos visitantes que vem conhecer a Geleira Perito Moreno (garantimos, esta é uma das visões mais lindas e impressionantes de nosso planeta) e os muitos glaciares do Lago Argentino, ocupando os muitos hotéis, hosterias e albergues da cidade – e seus ótimos restaurantes e pubs, a noite também é bem divertida. Veja alguns motivos para você ir lá – o mais rápido possível:

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Perito Moreno é o nome do engenheiro que demarcou as fronteiras de Argentina e Chile; e os hermanos o homenagearam dando a esta enorme e singular geleira o seu cargo e nome: Perito (seu cargo) Moreno (seu sobrenome). E há motivos: é algo deslumbrante, tão lindo que parece montagem, cenário feito em computador para algum filme de aventuras. É a Patagônia em toda sua glória!

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A Geleira Perito Moreno tem cerca de 60 metros de altura e 2km de extensão, e você fica muito perto dela, em passarelas seguras e bem construídas (são quilômetros delas…) , vendo o espetáculo visual e auditivo: a cada poucos minutos, lascas enormes de gelo se desprendem da geleira e caem no lago à frente, com o maior estrondo e movimento. Fica muito fácil de entender porque vem gente de todo o mundo para a patagônia argentina…

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Perito Moreno tem uma cor azulada – fruto da enorme compressão existente na massa de gelo, e quando bate o sol… você tem um grande diamante faiscante à sua frente, cercado de montanhas e bosques, e um pequeno lago – divino!

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Estando em Perito Moreno, você pode ainda: passear de barco neste laguinho à frente da geleira, usando aqueles barcos infláveis com pequenos motores de popa (os “gomones”), um passeio muito legal e impressionante; ou caminhar sobre a geleira perito moreno (sim!!!), em passeios guiados e com o uso de ” grampones “, que são armações de aço adaptadas aos calçados, com pontas no solado – imperdível, não deixe de experimentar isso.

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Além de visitar o Glaciar Perito Moreno, você poderá fazer um passeio de barco pelo Lago Argentino – o visual é maravilhoso, o lago é cristalino, e você estará cercado de natureza no seu estado mais selvagem e primitivo – avistando dezenas de outras geleiras, algumas realmente enormes. Este passeio dura todo o dia, e… com certeza justifica sua permanência em Calafate por mais tempo, há muito o que ver e fazer neta região da Patagônia.

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El Calafate é muito simpática e divertida, sempre cheia de gente de todo o mundo, e suas muitas línguas – um restaurante de Calafate, à noite, é uma verdadeira torre-de-babel, vale a pena ficar escutando para adivinhar o país de origem daqueles gringos das mesas ao lado, acredite. Ah: e a comida é muito boa, há escolha para todos os gostos.

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O cheirinho… Calafate tem um cheirinho todo próprio, que vem de sua vegetação – uma mistura de aromas de ervas, e dos muitos plátanos e álamos desta região da Patagônia.

Tenha a certeza de que isso você não irá esquecer: deveria poder ser engarrafado, para venda aos turistas encantados!

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Um passeio muito especial que pode ser feito por quem está em El Calafate: visitar o Parque Nacional Torres del Paine, em território chileno, um dos lugares mais lindos do planeta – lagos, cascatas, bosques, geleiras, montanhas, num conjunto de belezas realmente extraordinárias.

É um passeio de todo um dia, e é lindo o tempo todo, desde a saída até a chegada, as vistas e atrações se sucedem sem parar – você está cercado de Patagônia por todos os lados!

Bueno, neste seu passeio à Patagônia Argentina, você irá passar por Buenos Aires. E a capital dos Hermanos é, definitivamente, uma cidade que vale a pena ficar alguns dias para conhecer, curtir, comprar… caminhar em seus parques e avenidas, suas ruas charmosas e cheias de história; ir ao Teatro Colón, ou assistir a alguma peça em algum dos muitos teatros dos portenhos; fazer compras na região da Florida, ou nas diversas áreas de Palermo Viejo (palermo Soho, palermo Hollywood…); visitar o Puerto Madero e seus restaurantes charmosos, dar uma volta pela Boca – tão tradicional e tão portenha, conhecer o estádio da Bombonera (brrr…) num jogo do Boca Juniors – e comer muita, muita carne em algum dos milhares de restaurantes que a cidade oferece. Estes são só alguns exemplos…

Assim… além de visitar e se encantar com Ushuaia e Perito Moreno, não deixe de aproveitar muito bem seu tempo em Buenos Aires. Veja algumas dicas prá lá de sedutoras:

Palermo Viejo

Palermo Viejo está na moda… assim, procure ficar por lá, tanto nas hospedagem como para fazer compras (são centenas de boutiques charmosas…) e escolher restaurantes (são centenas de restaurantes charmosos…): além de tudo, você irá ver muita gente bonita e bem vestida – Buenos Aires é uma cidade em que as pessoas se vestem muito bem… e a mistura de italiano e espanhol dos Hermanos deixou sua população muito bonita!

Delta do Tigre-Buenos Aires

Um passeio pelo Delta do Tigre é um das passeios mais interessantes para se fazer em Buenos Aires. Você irá conhecer um lado da capital portenha que a maior parte das pessoas sequer sabe que existe… e é muito lindo, pode ter certeza de o dia será muitíssimo agradável! Leve junto sua câmera fotográfica, protetor solar e… boa viagem!

Buenos Aires

Bueno, um citytour em Buenos Aires é… imprescindível, a melhor maneira de conhecer a capital dos Hermanos em todo o seu esplendor. Há um montão de coisas imperdíveis – a Recoleta, a Casa Rosada, o Museu de Arte Moderna, a região do porto, a Boca, Plaza San Martin, Plaza de Mayo, Palermo e seu hipódromo… enfim, há muitíssima coisa para ver e sentir na cidade, e um citytour com guia é a forma fácil, barata e simpática de passar um ótimo dia (ou meio dia) em Buenos Aires, durante seu passeio pela Patagônia!

Puerto Madero

Puerto Madero está na última moda de quem quer curtir uma culinária mais refinada e chique em Buenos Aires: são dezenas de restaurantes muito lindos, à beira do Canal e na frente da ponte, oferecendo todo o tipo de culinária – oriental, internacional, francesa, fusion, mediterrânea e, é claro, as especializadas na famosa e inigualável carne argentina.

A região é muito bonita, com diversos hotéis chiques, muita gente elegante caminhando pelas calles e turistas encantados com o conjunto de coisas boas à sua volta!

VEJA USHUAIA & EL CALAFATE NA MÍDIA:

Gostamos muito deste texto, em que o autor descreve a Patagônia com precisão e entusiasmo!

Vejam:

 

NOS CONFINS DA PATAGÔNIA

Verdadeira espinha dorsal, os Andes (com picos acima dos sete mil metros) fazem da Patagónia um território de extremos naturais: a Oeste, a faixa de montanhas chilenas densamente povoadas de florestas; a Este, a meseta semi-árida argentina.

Texto: Alexandre Coutinho

Texto originalmente publicado na Revista do Expresso

 

UM ESTRONDO ensurdecedor rasga subitamente o silêncio, vibrante e aterrador como um trovão. A pouco mais de 200 metros do glaciar, as atenções centram-se de imediato no último desprendimento de gelo que se abate sobre as águas dos lagos Brizo Rico e de Los Tampenos. A violência do desmoronamento desfaz a parede do glaciar num misto de estilhaços de gelo e de grandes blocos, que partem à deriva feitos icebergs, numa longa e inexorável transformação em água.

O glaciar Perito Moreno, um dos últimos glaciares vivos do planeta, estende-se numa frente de cinco quilómetros que avança continuamente sobre o lago Argentino. Sob a pressão incalculável do glaciar, a falésia de gelo estala e não resiste ao estrangulamento das montanhas que formam as margens do lago, ao choque térmico e à fusão das suas moléculas em água. Ciclicamente (o último caso ocorreu em 1988), as tensões acumuladas nesta luta de titãs provocam um desprendimento geral de toda a parede, que atinge, em média os 50 a 60 metros de altura. Um dia, o degelo dos glaciares da Patagónia será um barómetro do aquecimento global do planeta.

Um pouco mais a Sul, já do lado chileno, pontifica o glaciar Grey, no centro de um estonteante desfilar de vales, lagos, rios e montanhas que constituem o Parque Nacional de Torres Del Paine. Criado em 1959 e declarado «reserva da bioesfera» pela UNESCO, em 1978, é conhecido pelos seus penhascos («Cuernos del Paine») que se elevam a 2600 metros. É, provavelmente, o melhor parque natural de toda a América do Sul. Os seus 240 mil hectares abrigam mais de uma centena de espécies de aves e duas dezenas de mamíferos, entre os quais pumas, raposas, lebres, veados e guanacos. O Guanaco (da família dos lamas) é um dos animais mais emblemáticos da Patagónia. Desloca-se, geralmente, em manadas de 20 ou 30 indivíduos, mas não é díficil encontrar animais isolados. Nas montanhas e ao largo da costa, avista-se com frequência o rei dos Andes, o condor, com o seu voo majestoso e uma envergadura de asa que pode chegar aos três metros.

Dependendo das definições, a Patagónia é a região mais austral da América do Sul, rodeada pelos oceanos Pacífico e Atlântico e tendo por limites, a Norte, os rios Colorado e Bío-Bío. Esta enorme península com mais de um milhão de quilómetros quadrados corresponde a um terço do Chile e da Argentina, mas é habitada por apenas cinco por cento da população dos dois países. Verdadeira espinha dorsal, os Andes (com picos acima dos sete mil metros) fazem da Patagónia um território de extremos naturais: a Oeste, a faixa de montanhas chilenas densamente povoadas de florestas; a Este, a meseta semi-árida argentina.

«Em Puerto Montt, só temos duas estações: a do Inverno e a dos comboios», o comentário ouvido da boca de um guia turístico poderá, certamente, ter algo de exagerado. Mas o vento frio e a chuva que cai ininterruptamente naquela manhã de Agosto (Inverno, no Hemisfério Sul), faz temer o pior relativamente ao clima na Terra do Fogo. As próprias casas de madeira (a matéria-prima por excelência da região) são pintadas das mais variadas cores para contrastar com o tempo frio e cinzento. As temperaturas médias não ultrapassam os 10 graus centígrados, no Verão e os zero graus, no Inverno. Os ventos sopram com maior intensidade na Primavera e no Verão e as precipitações anuais são da ordem dos 600 milímetros.

Deixando para trás a civilização, é o regresso aos grandes espaços, às paisagens de abrir grande os olhos e deixar fluir os pensamentos sem que estes se fixem numa qualquer referência conhecida. Apesar de deslumbrante, a região nunca recuperou da catástrofe ecológica da queima da floresta nativa pelos pioneiros, no ínicio do século. O objectivo era o de desbravar o mato para abrir campos de pastagens e culturas, mas ninguém contava que o clima conservasse os troncos caídos ao longo de décadas. Ainda hoje, largas extensões da patagónia chilena são constituídas por vastos cemitérios de árvores centenárias. Estima-se que foram destruídos, desta forma, mais de dois milhões de hectares de floresta virgem.

Ao passar, de novo, a fronteira para a Argentina, a paisagem muda radicalmente. De um lado, a floresta e as encostas de montanha batidas pelo vento e pela neve, do outro, a paisagem sem fim de um deserto de pedras ou as pampas de vegetação rasteira, uma planície apenas entrecortada por rios e desfiladeiros. Ao longe, o cone e a cratera de um vulcão extinto.

As pistas são largas, com bom piso, mas traiçoeiras nas curvas e nos desníveis. Apesar das distâncias, estas pistas estão perfeitamente sinalizadas, ao contrário do que sucede no Perú e na Bolívia. No ar, o pó típico a toda a região andina, entra progressivamente no carro, nas roupas e, claro, no nariz.

À entrada do Parque Nacional de Pali-Aike, três jovens raposas Zorro Gris aguardam com muita curiosidade a azáfama dos fotógrafos para captar a sua imagem através das objectivas. Foram introduzidas pelos colonos com a missão específica de neutralizar a população excedentária de lebres, também elas, introduzidas pelos pioneiros uns anos antes. Este é, por excelência, o território dos nandús, primos das avestruzes africanas, mas bem mais pequenos.

Subitamente, as montanhas dos Andes desaparecem, dando lugar a uma «pampa» a toda a largura do horizonte e uma costa entrecortada por múltiplos riachos e estreitos que o mar envolve tranquilamente. Chegámos ao fim da América do Sul, enquanto continente e, finalmente, ao célebre Estreito de Magalhães. Do outro lado, a ilha da Terra do Fogo, baptizada com este nome por Fernão de Magalhães, dada a enorme quantidade de fogueiras acessas pelos índios Onas e Yamana nas suas margens. Os índios mantinham-nas acessas noite e dia, como forma de protecção contra o frio e para cozinhar os alimentos.

Atravessámos o estreito de «ferry boat» (cerca de 20 minutos) na sua zona mais estreita, para Punta Delgada. De Punta Arenas a Porvenir, a largura do estreito requer quase duas horas para ser transposta. «Las Malvinas son argentinas», pode ler-se em todos os postos fronteiriços e zonas militares. Nas principais localidades existem memoriais à guerra das Malvinas que opôs a Argentina ao Reino Unido em 1983, com palavras de ordem e de vingança de uma derrota mal digerida. Por outro lado, a definição da fronteira entre o Chile e a Argentina no labirinto de ilhas e estreitos da Patagónia, constitui um quebra cabeças que está longe de ser resolvido a contento de ambas as partes. Herança da guerra ou simples estratégia de intimidação do «inimigo», largas faixas da margem do Estreito de Magalhães estão minadas, mas devidamente sinalizadas para evitar acidentes com a população local. Curiosamente, a grande maioria nem sabe que Hernando de Magallanes era um navegador português.

A Terra do Fogo é uma ilha sensívelmente do tamanho da Irlanda, que constitui como que uma miniatura de toda a Patagónia. A fronteira foi traçada à régua, deixando a metade ocidental no Chile (região de Magallanes) e a metade oriental à Argentina (Provincia Tierra Del Fuego). O Norte é muito menos montanhoso do que o Sul, estendendo-se ao longo de muitas pastagens para gado ovino e bovino. A estrutura agrária está organizada em «estâncias» que adoptam designações inspiradas nos ranchos norte-americanos (Flórida, Califórnia, etc…). Aqui as pistas de terra são mais estreitas, mas rolantes, ondulando com a orografia do terreno. A ilha também foi cenário de uma corrida ao ouro, da qual ainda existem ferrenhos resistentes, apesar do filão ter acabado há muito. Marco histórico dessa época aúrea, a draga mineira construída no Reino Unido, em 1910 e despachada de barco para a Terra do Fogo, que jaz no leito seco de um rio outrora próspero.

Aparecem os primeiros lagos gelados e tudo indica que as montanhas vão regressar à paisagem. Finalmente, Ushuaia («baía que penetra até ao poente», na língua dos índios Yamana). A cidade mais meridional do planeta foi erigida numa belíssima baía do Canal Beagle e está rodeada por montanhas cobertas de neve (neva quatro a seis meses por ano e chove copiosamente durante todo o Inverno).O cenário ultrapassa tudo o que o visitante esperaria do fim do mundo, a escassos 130 quilómetros do Cabo Horn e a pouco mais de mil quilómetros da Antártida.

Fundada a partir de uma missão anglicana, em 1871, Ushuaia foi escolhida, no ínicio do século para a construção de uma colónia penal para condenados a penas pesadas ou a prisão perpétua. A história da Terra do Fogo esteve sempre ligada ao mar (até 1948, data do começo dos primeiros voos comerciais, a única ligação ao continente era feita de barco) e Ushuaia cedo ganhou galões como base naval da Marinha Argentina (1950). A cidade foi sempre crescendo ao ponto de ter duplicado a sua actividade nos últimos 12 anos. Hoje, vivem na cidade entre 42 e 45 mil pessoas e chegam continuamente novos habitantes. Como capital da Província da Terra do Fogo, alberga cerca de cinco mil funcionários públicos e, como zona livre de impostos, não tardou em atrair as mais variadas indústrias, com destaque para a electrónica (Aurora Grundig, Toshiba e Philco), a pesca e o turismo. É a província argentina que apresenta o maior índice de crescimento anual: 30 por cento, em 1997.

Fonte: www.janelanaweb.com

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